“Você deveria ter feito alguma coisa pra me ter, ou até me deter, eu ainda te queria, você sabia, você deveria ter feito algo, mas não fez. E talvez pudesse ter sido diferente, se um dos dois tivesse gritado “não vai, fica aqui comigo” se um dos dois tivesse dito no meio de todo aquele tormento “não se vai não, eu quero você, eu quero você comigo” e evitasse o desencontro. Mas não foi, apenas se foi e não mais voltou. E mesmo tão perdida, tão sozinha. Tão destruída. Com toda essa saudade gritando aqui dentro de mim, com toda essa falta absurda que você me faz, mesmo lembrando e relembrando cada detalhe seu todos os dias, ainda que eu lembre dos seu sorriso oito dias por semana, eu decidi seguir em frente, porque a vida continua, e ela não para pra você correr atrás do que passou, ela não para pra você consertar tudo que podia ser diferente, também não traz de volta o que se foi, e não volta no tempo pra mudar os fatos. Não adianta, mesmo que eu queira a vida não faria o tempo voltar para quando você naquele fim de tarde me perguntou “ainda tem alguma coisa minha ai?” eu te responder “tem eu”. E é bem assim que eu vou indo, aos poucos, aos cacos, que esses poucos me façam completa, que esses cacos me façam inteira, e que em todas as partidas eu me lembre de gritar “fica” “não me deixa” ou “volta pra cá” quando alguém que me vale muito estiver indo embora, porque depois da partida, pode não ter mais volta.”
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