As chuvas de verão passam, o frio da madrugada vai embora, espero que sensações mutuamente desagradáveis também encontrem o caminho de volta. Não fomos presos assim, não emprestamos nossas almas e corações á essas terríveis e insuportáveis dores cortantes. São múltiplas e constantemente desagradáveis. Também foi assim contigo, garoto, mas sempre fomos empurrando tudo pro cantinho mais escuro da casa e esperando que essa tempestade resolvesse passar sozinha; por si só. Esperamos a destruição de cada pedaçinho de poesia que ainda houvesse restado bem lá no fundo, como se a poezia fosse centro de dor, revela-dores, dores gostosas, que, talvez, não devam ser comparadas ás dores do amor.
Os pedidos sempre foram plural e os encontros românticos sempre foram coloridos e sublimes. Sutilmente fomos nos apagando como se o pó - que acabaria por restar das nossas promessas - fosse mais aproveitável.Carinho, garoto, desejamos eternamente que essa palavra fizesse sentido por nós dois. Ansiamos que os casais nos bancos de praça pudessem sentir o nosso amor gostoso bem de levinho e pensar, com inveja, o quanto tivemos sorte por encontrar sorrisos e dividí-los por aí tão desajeitadamente.
Foi hilário.
Esse rumo de tudo e de todos (e esse “todos” somos nós dois e esse plural rejeitado que saiu machucando o nosso dueto de amor) foi ficando hilário por si só e tomando o rumo que nós temíamos. Mas, garoto, não fizemos nada, absoluta e plenamente, nada. Talvez os passos pudessem ser mais sincronizados e os nossos olhares pudessem focar o mesmo destino. Mas não tomamos rédeas para controlar dores futuras e deu no que deu. Corações machucados dividindo essas dores tão ridículas que chegam a ser hilárias.
Hilário é o amor e esses rumos totalmente evitáveis que nós optamos por não evitar. E talvez reclamar da vida seja um caminho mais óbvio. Vamos,juntos, nos sentar num banco de praça e nos lembrar do quanto poderia ter sido diferente […] juntos.
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